Plasma Rico em Plaquetas (PRP)

Vários pacientes me perguntam sobre o plasma rico em plaquetas (PRP) e seu uso na osteoartrose dos joelhos. Como o assunto vem ganhando cada vez mais popularidade, e, infelizmente existe muita interpretação incorreta sobre o que realmente existe atualmente, resolvi fazer um breve comentário com a minha opinião sobre o assunto.

Plasma rico em plaquetas: O que é isso?

Inicialmente gostaria de pontuar alguns conceitos:

- O nosso sangue é um tecido extremamente rico e complexo, composto de água, proteínas, diversos tipos celurares, entre outros.

- Plasma sanguíneo é o componente líquido do sangue, no qual as células estão suspensas. O plasma é um líquido de cor amarelada e é o maior componente do sangue, compondo cerca de 82% de seu volume total.

- Plaquetas são fragmentos celulares também presentes no sangue. Sua função mais conhecida é a de auxiliar a coagulação do sangue. Acontece que as plaquetas também são capazes de produzir fatores de crescimento, e é exatamente essa propriedade que nos interessa quando conversamos sobre o plasma rico em plaquetas.

O plasma rico em plaquetas, portanto, é obtido através de um processo que inclui a centrifugação do sangue retirado de um indivíduo. O plasma, separado das células maiores, é então novamente centrifugado, obtendo-se um volume menor rico em plaquetas, daí o nome plasma rico em plaquetas. Portanto, obtem-se um pequeno volume com grande quantidade de plaquetas que, quando ativadas, possuem a capacidade de produzir grandes quantidades de fatores de crescimento.

O plasma rico em plaquetas apresenta resultados promissores em cicatrização de feridas e tendinoses, porém seu uso em osteoartrose ainda carece de uma maior quantidade de estudos. A ciência básica ainda não respondeu sequer a questão sobre qual o método ideal de preparo e qual a fração sanguínea, com quais tipos de proteínas e células forma o PRP ideal. Além disso, especificamente na artrose, não se conhece a verdadeira capacidade de resposta ao tratamento, visto que o condrócito osteoartrítico (a célula produtora de cartilagem) muitas vezes não tem capacidade de responder positivamente a um fator de crescimento.

Concluindo, ainda são necessários mais estudos sobre o tema, principalmente com ciência básica e estudos em laboratórios e animais, para que se possa usar o PRP com segurança em nossos pacientes com artrose. Minha opinião é de que não possuimos ainda suficiente evidência nem de eficácia nem de segurança, então atualmente eu não recomendo o uso do plasma rico em plaquetas no tratamento da osteoartrose dos joelhos.